Eis que dia 2 de junho de 2013 ganhei o presente mais precioso da minha vida, meu filho. E como mãe de primeira viagem me vejo agitada e com um turbilhão de duvidas e inquietações, resultantes da falta de conhecimento sobre a maternidade. Sejamos sinceros: nada se fala a fundo sobre as angustias das mães, apenas que não dormem e que o bebe e o amor mais incondicional do mundo e por isso as mamadas noturnas são suportáveis.
A verdade e que além disso há muito mais. Começando pelo pós operatório, e eu em especial que desenvolvi alergia na cicatriz com a formação de enormes bolhas, que deixam a mãe limitada em suas ações e movimentos, assim como tem seus hormônios alterados pelo contexto geral, e desordenados em demasia em consequência a reação a anestesia tomada na hora do parto. Drama total. Não e nenhuma novela mexicana, mas eu, uma mulher criada para ser independente e que trabalha há mais de quinze anos fora, estar limitada as paredes do apartamento dependendo de alguém para buscar um copo de água e um desconforto enorme. O não poder fazer tudo somado ao excesso de atenção que o neném exige, fazem com que a identidade da mãe fique apagada por um período. Três meses.... Intermináveis.... Principalmente o primeiro mês onde a adaptação a maternidade e maior. E as adaptações não param por ai: adaptação ao marido, a avo, a responsabilidade, a nova rotina, etc etc etc. A grande verdade e que o filho e da mãe. Pronto!!! Ela muda a visa inteira em função da cria, enquanto os demais mantém a identidade. Claro que, as pessoas ajudam, mas algumas tarefas são da mamãe. Não tem jeito. A tomada de decisões e da milhar - sem discussão. E isso enlouquece pelo estresse excessivo e pelo medo de tudo: de falhar, de não saber como fazer o bebe parar de chorar, de chegar perto do berço e perceber que ele não respira... (Sim, descobri que toda mãe tem neura de ver se o filho respira), que o Marido não vai gostar mais dela gorda e flácida, que o peito vai rachar mais do que deve com a amamentação, entre outros. Patologia total!!!
Meu bebe vai fazer um mês daqui a cinco dias e confesso que chorei muito no decorrer desse tempo. Chorei de emoção, de medo, cansaço, estresse, raiva, dor, pânico, culpa, culpa e mais culpa. Claro, porque admitir toda essa situação, esse caos na vida e nos sentimentos da uma culpa enorme. Hoje meu bebe não parava de chorar por nada. Chorar não, berrar... Pensei e falei: devo ter jogado lesta na Cruz. Quase apanhei da minha mãe, mas não estava renegando o filho, estava estressada, cansada, sem dormir, com seios rachados devido a mamadas ininterruptas há quatro horas porque ele só acalmava no peito... A verdade cruel e que vc pensa sim que nunca mais cai ter sua vida de volta. Bom, de uma certa forma não vai ter mesmo, mas me juram que isso passa - e que a próxima fase sera mais difícil. Louco!!! Mulheres devem entender antes da maternidade que o bebe não e um boneco, e devia haver um estagio simulatório noa hospitais ao invés de termos cursos de gestantes com bonecos e apostilas do Walt Disney.
O desespero é maior porque a criança tem refluxo e um gênio igual ao meu - e berra quando quer mamar porque há dor e desconforto estomacal devido ao problema. Os remédios a princípio não fazem efeito, isto é, efeito imediato, e temos que ter paciência e atenção para aguardar de sete a quinze dias para que funcionem de forma eficaz. Até lá, mamãe não dorme e precisa de paciência redobrada. Aff!!!
Mas, ele é fofo!!! Ontem ao ler teste do pezinho achei que pudesse estar com anemia falciforme, doença congênita grave, que dependendo leva a trasplante de medula óssea. Surtei de verde amarelo, em homenagem as manifestações populares dos últimos tempos... chato!!! Chorei, como chorei. A pediatra não me deu lá muita atenção, mas de pronto atendimento olhou o exame por e-mail e avisou que estava tudo bem com o neném. Meu primo médico olhou e disse que isso é uma porcentagem pequena. Ontem tive uma dó enorme, dormi com ele no colo porque não parava de golfar, mas principalmente porque tive um medo absurdo de perde-lo. Deus me livre disso.
Achei que pudesse ser um castigo para meus estresses e falta de paciência com ele, mas hoje ele parece que percebeu e abusou do choro berrado.
Pelo amor de deus, isso comprova que a maternidade não e ruim. E fantástica, magica, especial, mas se adaptar a isso e muito complicado. Entendo o silencio da maioria das mulheres porque só
Consegue entender o que estou falando aquelas que tem filhos. Sei que algumas vão querer me
Matar ao ler o blog, mas preciso admitir que nunca na minha vida tive um desafio tão grande como ser mãe. Amo meu filho e faria tudo de novo, contudo desabafo sinceramente que acho que estou surtando. E a culpa vem com forca ao escrever isso. Não quero receber nenhum castigo divino, tampouco que algo aconteça a ele, porque nenhuma mãe de primeira viagem acredita que o filho possa ter febre alguma vez na vida. Para que ficar dodói??? Inimaginável!!! Surreal!!!
Só queria ter minha vida de volta, sem culpas. Sem que lê tivesse atenção. Sei que quando tiver que voltar mesmo o deixando na creche, vou pensar de maneira totalmente contrária, mas a verdade é que - repetindo - uma mulher que sempre foi criada para ser independente e trabalha desde 17 anos (tenho - em off - 34) estar presa em casa cuidando de um bebê e da organização da faxina é surtante... não estava, verdadeiramente, preparada para ser maria ... talvez não estivesse para ser mãe também. Porque ser mãe é um aprendizado diário... contínuo... infinito. E aprender a não me achar uma péssima mãe também exige atenção. E viva a minha terapeuta. Amanhã tem consulta.